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‘São Marcos’: Análise do Conto de Guimarães Rosa, FUVEST







O conto ‘São Marcos’ do autor Guimarães Rosa se encontra no livro Sagarana, uma das leituras obrigatórias de quem for prestar o vestibular para a USP. Para entender melhor a história e se dar bem nas provas, vale a pena ler o conto e depois ir à fundo nas análises!

Confira no Not1 uma análise crítica completa sobre o livro, resumo e informações importantes para você ir preparado para as provas da Fuvest!

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GUIMARÃES ROSA

Guimarães Rosa fez parte da terceira geração do modernismo, com fortes características regionalistas. Em todas as suas obras é possível perceber uma linguagem carregada de regionalismos, a linguagem do povo. Adepto do estilo Regionalista Universal: “O Sertão é o mundo” das personagens – não um lugar que causa a miséria e a pobreza dos personagens como os de Graciliano Ramos. Mas sim um lugar ideal para a reflexão psicológica dos personagens.

Rosa busca a recriação da linguagem, colocando o falar popular e a vida no sertão nos seus escritos. Usa muito de Neologismos, que é a arte de inventar palavras. Guimarães tem preocupação com o conteúdo, e não com a forma. Há rompimento do autor com os padrões gramaticais tradicionais, para aderir a uma estética da liberdade.

SÃO MARCOS

 

José (Izé), o narrador, médico novo, récem-chegado no Calango-Frito, embora supersticioso, não acredita em feitiçaria e vive caçoando de um curandeiro e feiticeiro local – o João Mangolô, cuja cafua vive repleta de clientes de suas rezas, despachos, mandingas e simpatias. Muitos outros no Calango-Frito estavam envolvidos com todo o tipo de bruxarias; Nhá Tolentina, já muito rica e considerada por seus despachos; Dona Cesária, que atuava em calungas de cera, e até o menino Deolindinho obteve feitiço contra os coques do professor.

Mangolô era um preto velho. Morava no Calango-Frito e tinha fama de feiticeiro. O narrador, saindo do povoado (ia caçar), passou pela casa de Mangolô e tirou brincadeira. Gritou para o preto velho: "primeiro: todo negro é cachaceiro; segundo: todo negro é vagabundo; terceiro: todo negro é feiticeiro". Eram os mandamentos do negro. Mangolô não gostou da brincadeira. Fechou-se na casa e bateu a porta.

Mais à frente, na mesma caminhada, o narrador alcança Aurísio Manquitola. O narrador, por brincadeira, começou a recitar a oração proibida de São Marcos. Aurísio enche-se de medo. É um perigo dizer as palavras dessa oração, mesmo que por brincadeira.

Aurísio conta ao narrador a história de Tião Tranjão, sujeito meio leso, vendedor de peixe-de-rio no arraial. Tião amigou-se com uma mulherzinha feia e sem graça. Pois o Cypriano, carapina já velho, começou a fazer o Tião de corno. Mais ainda: os dois, Cypriano e a mulher feia, inventaram que foi Tião quem tinha ofendido o Filipe Turco, que tinha levado umas porretadas no escuro sem saber da mão de quem… O Gestal da Gaita, querendo ajudar o Tião, quis ensinar a ele a reza de São Marcos. Tião trocava as palavras, tinha dificuldade para memorizar. Gestal teve que lhe encostar o chicote para fixar a reza. Aí sim, debaixo de peia, Tião Tranjão aprendeu direitinho a reza proibida, tintim por tintim.

Depois da reza decorada, vieram uns soldados prender Tião. Ele desafiou: com ordem de quem? Os soldados explicaram: com ordem do subdelegado. Então, que fossem na frente. Ele iria depois. Com muito jeito, conseguiram levar Tião para a cadeia e lá, bateram nele. Depois da meia-noite, Tião rezou a oração de São Marcos e, misteriosamente, conseguiu fugir da cadeia, voltar para casa – quatro léguas. Não encontrando a mulher, foi direto para a casa do carapina. Aí, com ar de guerreiro, bateu na mulher, no carapina, quebrou tudo que havia por lá, acabou desmanchando a casa quase toda. Foram necessárias mais de dez pessoas para segurá-lo.

O narrador vai descendo por trilhas conhecidas, reconhecendo árvores, identificando pássaros, até chegar finalmente à lagoa. Senta-se e põe-se a observar o movimento dos bichos em perfeita harmonia com a natureza. De repente, sem dor e sem explicação, ficou cego. O desespero não veio de imediato. Aos poucos, foi concluindo que estava distante, afastado de qualquer ser humano, impossibilitado de voltar para casa. Resolveu gritar. Gritou repetidas vezes e só teve o eco por resposta. Tentou, então, voltar tateando as árvores. Logo percebeu que estava perdido, numa escuridão desesperadora. 

Sem pensar, o narrador começou a bramir a reza-brava de São Marcos. E sem entender o porquê, dizendo blasfêmias que a reza continha, começou a correr dentro da mata, tangido por visões terríveis. De repente, estava na casa de João Mangolô, tangido por uma fúria incontrolável. E a voz do feiticeiro pedindo pelo amor de Deus que não o matasse. O negro velho havia amarrado, por brincadeira vingativa, uma tira nos olhos de um retrato do narrador, irreverente e zombador, que não acreditava em feitiçaria, ainda que fosse supersticioso.

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PERSONAGENS

José – Narrador, um admirador da natureza. Gostava de observar árvores, pássaros, rios, lagos e gente.
João Mangolô – Mangolô era um preto velho. Morava no Calango-Frito e tinha fama de feiticeiro.
Aurísio Manquitola – Sujeito experiente, contador de histórias; 
Tião Tranjão – Sujeito meio leso, vendedor de peixe-de-rio no arraial. 

ANÁLISE

Há, no conto, três fábulas: a do feiticeiro e das feitiçarias, a do passeio e da natureza e a dos poemas. Em todas o mito e a fantasia aparecem sob formas de superstições e premonições, crença em aparições, misticismo e temor religioso – admiração pelo mistério e o desconhecido. Percebemos que o sobrenatural é tratado como parte do homem do sertão.

O cenário é Calango-Frito, arraial do interior de Minas Gerais. Esse espaço físico é rico em vidas, sons e sensações. Faz parte do mundo encantado, mágico. É a voz de comando do personagem José que, à medida que desce no âmago do mato, também mergulha no seu próprio interior. Ou seja, enquanto José adentra o mato, João revive e reativa sua memória. E vice-versa, enquanto João narra cada detalhe lembrado, José aprofunda-se pelo desembrenhar mato adentro. Dentro do mato e dentro de si mesmo.

A cegueira de Izé é o pretexto para que o autor faça aflorar outros sentidos, outras potencialidades do ser, que são, a seu modo, a "hora e vez" do narrador, a sua "travessia" no mundo do mistério e do encantamento.

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Assuntos do Artigo:
  • livro sagarana analise sao marcos

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