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Lisbela e o Prisioneiro, Osman Lins – Resumo e Análise UNICAMP







Lisbela e o Prisioneiro foi a primeira peça de Osman Lins a ser encenada com retumbante sucesso. E com certeza é a que até hoje teve mais alcance de público. Se muito da fama de uma peça deve ser creditada ao trabalho de direção, ao desempenho dos atores, à cenografia, ao figurino, à iluminação, ao som; outro tanto pelo menos também deve ser atribuído ao texto do dramaturgo.

Confira hoje no Blog Not1 um resumo completo e uma análise crítica da obra de Osman Lins, um dos livros obrigatórios para quem for prestar o vestibular da UNICAMP!

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Resumo e Análise Crítica

 

Lisbela e o prisioneiro é uma comédia de caracteres, embora as ações desenvolvidas na cadeia de Vitória de Santo Antão desempenhem uma função considerável na sua estrutura tradicional, com exposição, desenvolvimento, falso clímax, clímax, desfecho de situações vivenciadas por personagens nordestinos muito bem amarrados.

Lisbela é filha do Tenente Guedes, delegado da Cadeia de Santo Antão, e o prisioneiro, o funâmbulo Leléu, é um Don Juan nordestino. Esses dois personagens formam o par amoroso anticonvencional, assumindo riscos em nome do sentimento intenso. Lisbela foge com Leléu no dia de seu casamento com Dr. Noêmio, advogado vegetariano, por isso mesmo personagem destoante do meio em que se encontra. Ao marido, doutor, representante do estabelecido e da segurança, a jovem prefere Leléu, o artista de circo preso, com tudo o que ele significa de risco e subversão dos valores vigentes do seu meio.

A peça é dominada por personagens masculinas. Além dos já mencionados, atuam na cadeira Jaborandi, corneteiro, afeiçoado a fitas em série; Testa-Seca e Paraíba, outros presos; Juvenal, outro soldado; Heliodoro, cabo de destacamento, casado, porém apaixonado por um jovem, que chega a forjar um falso casamento para possuí-la; Tãozinho, vendedor ambulante de pássaros, que rouba a mulher de Raimundinho; Frederico, assassino profissional, à procura de Leleu, que deflorou sua irmã Inaura, e que por ele é salvo de um ataque de boi; Lapiau, artista de circo, amigo de Leléu, que participa da farsa de casamento de Heliodoro com a jovem; Citonho, o velho carcereiro, esperto e cômico, cúmplice, no final, de Lisbela e de Leléu, e mais dois soldados, personagens mudas.

Lisbela, única filha do Tenente Guedes, é também a única mulher que atua em cena; as outras são apenas mencionadas. Porém ela atua com força, porque enfrenta a autoridade patriarcal, representada pelo pai e pelo noivo, ao tomar iniciativa para colaborar com a fuga de Leléu da prisão e a se dispor a abandonar o marido no dia de seu casamento para se aventurar com o equilibrista.

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Como se não bastasse, é ela quem livra Leléu da morte ao atirar em Frederico, o assassino profissional, quando este lhe apontava a arma, pouco antes do desfecho da peça. Torna-se, pois, criminosa, criando uma situação embaraçosa para o pai. Para livrar a própria filha da cadeira, este usará de expedientes comprometedores para a lisura de uma autoridade, com o intuito de ocultar a autoridade do crime.

O gênero comédia aliado ao perfil anticonvencional da dupla protagonista foi muito bem escolhido. Já a personagem Leléu, que tanto quer e tanto faz para sair das grades da cadeira de Vitória de Santo Antão, não hesita em a ela retornar, só para ficar próximo de Lisbela, quando fracassa o plano de fuga dos dois. O paradoxal retorno à prisão é mais um movimento desse personagem para a libertação das amarras de valores que lhe são menores do que os impulsos da vida.

Citonho é um dos personagens que mais de destacam na peça, porque de velho caduco e fraco, propício a gozações dos mais jovens e fortes, ele não tem nada. Com maestria, Osman Lins desvela no personagem Octagenário, enfraquecido, em tese, pela idade e função exercida, sua perspicácia, lucidez força e coragem. O velho solitário considerado caduco, é o que mais enfrenta o Tenente, enfim, do velho emanam ida e movimento.

*Trecho do filme gravado em 2003 mostra a comicidade da obra*

Já o tenente, por causa de sua função, não consegue se desvencilhar do encarceramento profissional e se vê obrigado a tomar atitudes contrárias a seu temperamento. Eis um dos motivos pelos quais está sempre a afirmar que a autoridade é um fardo, frase com efeitos cômicos. No fundo, o Tenente Guedes é mais prisioneiro de sua profissão que todos seus subalternos.

Jaborandi, corneteiro, merece atenção, ele vive fugindo do local de trabalho para assistir a fitas, interrompendo seus momentos de fantasia na hora em que tem que tocar a corneta.

O regionalismo de Lisbela e o Prisioneiro, fundado no aproveitamento de incidentes testemunhados por amigos, por familiares e por Osman Lins bem como apoiado na transposição de ditados, expressões populares e dísticos encontrados em para-choques de caminhões, é transfigurado sob a pena de seu autor. Linguagem elaborada, regada por uma equilibrada dosagem de leveza, comicidade e ternura, assentada em valores libertários em prol da vida, o que lhe abre as portas para outros tempos.

ANÁLISE DE SANDRA NITRINI, 2003 – POSFÁCIO DO LIVRO.

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