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Guimarães Rosa,Vida,Obras,Principal Expressão da Literatura Brasileira







Arte e Cultura Brasileira –  Not1

Guimarães Rosa – Vida,Obras, Principal Expressão da Literatura Brasileira

João Guimarães Rosa nasceu em 1908 e morreu em 1967. Mineiro de Cordisburgo, desde pequeno interessou-se por línguas e por tudo que se referia a natureza: bichos, plantas, insetos.

Formou-se em Medicina e exerceu a profissão clinicando pelo interior de Minas, onde com toda a experiência adquirida acumulou material para suas obras. Em 1934, ingressou na carreira de Diplomata e viveu em vários países sempre escrevendo e ampliando seu conhecimento sobre línguas e culturas diferentes.

Guimarães Rosa foi um grande escritor, considerado uma das principais expressões da literatura brasileira. A genialidade de sua obra deslumbra até hoje unanimemente as várias tendências da crítica e do público.

Escreveu poemas… Mas, Guimarães Rosa fez sua  estreia em 1946, com o lançamento de Sagarana (contos). Seguindo a tradição regionalista, já largamente explorada em nossa literatura por outros autores de diferentes épocas e gerações, Guimarães Rosa consegue renovar essa tradição e levar a literatura brasileira a um nível mais alto.

Em 1956, surpreendeu o público com duas obras-primas: Corpo de baile (novelas) e Grande Sertão: veredas (romance). Publicou ainda Primeiras estórias (1962) e Tutaméia –  Terceiras estórias (1967). Atualmente a obra Corpo de Baile é publicada em três partes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do sertão.

A grande novidade linguística introduzida pelo regionalismo de Guimarães Rosa foi a de recriar na literatura a fala do sertanejo tanto no plano do vocabulário como no da sintaxe ( a construção das frases) e no da melodia da frase. Dando voz ao homem do sertão por meio de técnicas como o foco narrativo em 1ª pessoa, o discurso direto e o discurso indireto livre, a língua falada no sertão está presente em toda a obra.

Vamos observar um fragmento do conto ”Sarapalha”, de Sagarana, o conhecimento minucioso que o autor mostra ter da vegetação e da língua regionais:

Aí a beldroega, em carreirinha indiscreta  –  ora-pro-nobis! – apontou caules ruivos no baixo das cercas das hortas, e, talo a talo, avançou. Mas o cabeça-de-boi e o capim-mulambo, já donos da rua, tangeram-na de volta; e nem pode recuar, a coitadinha rasteira, porque no quintal os joás estavam com o espinho-agulha e com o gervão em flor.

Observe a preocupação do autor com a construção sintática e melódica das frases neste fragmento inicial de Grande sertão: veredas:

– Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em mim mocidade. Dai, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco erroso, os olhos de nem ser.

A linguagem de Guimarães Rosa não tem a intenção de retratar realisticamente a língua do sertão mineiro. Ela vai além: tomando por  base a língua regional, Guimarães Rosa recria a própria língua portuguesa, por meio do aproveitamento de termos em desuso, da criação de neologismos, do emprego de palavras tomadas de empréstimo a outras línguas e da exploração de novas estruturas sintáticas.

Fonte: Português Linguagens – Literatura – Produção de Texto – Gramática. William Roberto Cereja  Thereza Cochar Magalhães p.352-353-354

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